Amêndoas: Uma saborosa tradição da Semana Santa

As amêndoas dão um sabor especial aos participantes da Procissão da Ressurreição no Domingo de Páscoa

Por Patrícia Souza | 01/04 às 10h:24
Foto por: Patrícia Souza

As balinhas de origem árabe, começaram a ser distribuídas na cidade de Ouro Preto em 1733, no Triunfo Eucarístico, evento que marcou o traslado do Santíssimo Sacramento da Igreja de Nossa Senhora do Rosário para a Igreja de Nossa Senhora do Pilar. Atualmente, a distribuição das amêndoas ocorre no fim da Procissão da Ressurreição, para as figuras bíblicas e representantes da Igreja.

A família Corrêa possui um singular modo de fazer, e que se tornou uma tradição nas festividades religiosas. O trabalho foi iniciado por Eunice Correa, confeiteira, que com muitas tentativas apurou a receita do doce. Segundo Dona Vera Lúcia, as amêndoas eram bem miudinhas, depois, com o aprimoramento, “as florzinhas” foram aumentando e outros sabores incrementados. Assim, as irmãs: Vera, Eunice e Nadir dividiram as funções e trabalharam na fabricação das delícias.

A convite da Paróquia do Pilar, Eunice que morava próximo à igreja, começou a produzir, junto com as irmãs, as amêndoas para distribuição na Semana Santa. Para atender a demanda, foi preciso produzir uma grande quantidade e melhorar o espaço para alocar as balas, que devem ser acondicionadas em sacos de pano, além do prazo de produção, que é iniciado três meses antes da Semana Santa. Dessa maneira, a igreja disponibilizou o espaço do CESFO para a fabricação das balinhas.

Para a confecção das balinhas, é preciso um fogareiro à base de carvão para esquentar o tacho de cobre, e assim a calda, feita separadamente, é colocada junto aos ingredientes: como chocolate-em-pó, erva-doce, cravo e misturadas no tacho. Desse modo, são formados torrões, em forma de florzinhas, ao redor dos grãos de amendoim, cubos de coco, com os sabores e aromas das especiarias: anis, cravo e canela.

Atualmente Vera Lúcia Corrêa e as filhas Angélica e Juliana, trabalham na fabricação das amêndoas, uma tradição que está sendo passada de mãe para filha. A família trabalha de maneira singular, pois há todo cuidado no modo de fazer, tratamento e manuseio dos processos de fabricação das amêndoas, desde a escolha do carvão até a embalagem, em forma de cone.

Para fazer a calda é preciso muito capricho, como por exemplo a calda de coco, que deve ser fervida por cinco vezes até que se retire toda a gordura. Os sabores são definidos por cada tacho. Conforme a calda, são salpicadas as especiarias. As doceiras colocam dedeiras para proteger os dedos do calor do forno. O movimento com as mãos das doceiras no tacho é que faz o rendilhado nas amêndoas. É o vai e vem das mãos que transformam as florzinhas nas balas. E esse carinho é feito por Dona Vera e sua filha Angélica até secar as amêndoas.

Os torrões se formam em variados tamanhos, assim, para preencher a embalagem em forma de cone, feita também de maneira cuidadosa, por Juliana, filha de Vera, são colocadas as menores primeiro, depois vão aumentando os tamanhos das balinhas até o topo do cartucho.

São produzidos em média, 100 quilos de amêndoas para a Semana Santa. A produção é iniciada três dias após o Carnaval e durante a quaresma, essa é a rotina da família Corrêa.